Entenda o Arquétipo do ”Fim dos Tempos” e sua Origem

 
Arquétipo (grego ἀρχή – arché: principal ou princípio e τύπος – tipós: impressão, marca) é o primeiro modelo ou imagem de alguma coisa, antigas impressões sobre algo. É um conceito explorado em diversos campos de estudo, como a Filosofia, Psicologia e a Narratologia
O termo é usado por filósofos neoplatônicos, como Plotino, para designar as ideias como modelos de todas as coisas existentes, segundo a concepção de Platão. Na filosofia teísta, em suas várias vertentes, o termo indica ideias presentes na mente de Deus. Pela confluência entre neoplatonismo e cristianismo, o termo arquétipo chegou à filosofia cristã, sendo difundido por Agostinho, provavelmente por influência dos escritos de Porfírio, discípulo de Plotino.
Arquétipo, na Psicologia Analítica, significa a forma imaterial à qual os fenômenos psíquicos tendem a se moldar C.G.Jung usou o termo para se referir a estruturas inatas que servem de matriz para a expressão e desenvolvimento da psique.
Jung constatou que, além de elementos tipicamente ligados à psique, como os sonhos, os arquétipos do inconsciente coletivo também se expressam através de narrativas, destacando e estudando especialmente o mito e o conto de fada. Ele diz:
“Nos mitos e contos de fada, como no sonho, a alma fala de si mesma e os arquétipos se revelam em sua combinação natural, como formação, transformação, eterna recriação do sentido eterno. ”
 
Outros estudiosos, como Joseph Campbell e Christopher Vogler, considerando a definição junguiana, também sugerem interpretações a respeito da expressão dos diversos arquétipos em uma narrativa, independente de seu caráter fantástico ou não. Para Campbell, os arquétipos fazem parte de todo ser humano, como órgãos de um corpo, fenômenos biológicos.
Lembrando que Campbell é considerado um dos o maiores mitólogos da história, estudando padrões mitológicos e seus significados de centenas de civilizações, das mais conhecidas ás mais incomuns.
 
Os arquétipos estão, portanto, nos bastidores de todos os nossos pensamentos, sentimentos, emoções, intuições, sensações e atitudes. Normalmente eles se expressam através dos símbolos, pois constituem sua composição estrutural oculta aos olhos humanos.
As dezenas de volumes e décadas de estudos realizados por Jung nos remete a prova de que no Universo não existe nada ”solto”, tudo tem de certa forma um ”padrão” originário para direcionar e organizar um Cosmos aparentemente caótico.

Alguns exemplos de padrões:

-Padrão ouro na natureza:

https://www.youtube.com/watch?v=gbX3IIWxM1s

-O monomito das narrativas do caminho do heroi por Campbell



O monomito (às vezes chamado de “Jornada do Herói”) é um conceito de jornada cíclica presente em mitos, de acordo com o antropólogo Joseph Campbell. Como conceito de narratologia, o termo aparece pela primeira vez em 1949, no livro de Campbell The Hero with a Thousand Faces (“O Herói de Mil Faces”).

Campbell e outros acadêmicos, tais como Erich Neumann , descrevem as narrativas de Budha, Moisés e Cristo em termos do monomito e Campbell afirma que mitos clássicos de muitas culturas seguem esse padrão básico. O padrão do monomito foi adotado também por Jorge Lucas para a criação da saga Star wars.

A ideia de monomito em Campbell explica sua ubiquidade por meio de uma mescla entre o conceito junguiano de arquétipos e forças inconscientes da psique.


 

  Origem
Com as provas científicas que nos veio à tona em nossa atualidade, em especial, os experimentos da Mecânica Quântica, é possível sustentar a origem dos arquétipos numa perspectiva mais palpável do que a dada pela metafísica. Sabe-se que se  aprofundarmos no mundo subatômico, atravessando a barreira do Bosón de Higgs (descoberto recentemente)- um campo responsável por dar a expressão do que chamamos de matéria – encontraremos um Vácuo de Energia infinita, com características ondulatórias (de uma única onda), a permear todo o Universo, em suma, tudo que existe, existe dentro deste Vácuo, que se expressa em  diferentes níveis de organização de ordem consciente. Isto mesmo que acabara de ler, CONSCIENTE, não é uma força cega, e isto pode ser verificado no experimento da Dupla
Fenda – Confira no link abaixo:
 
Cientistas recebem Nobel pela descoberta do Bosón de Higgs :
Este Oceano Infinito de energia consciente tem sido chamado de vários nomes, como Vácuo Quântico, Campo Zero, Campo de torção – prefiro chamá-lo de Consciência Universal. Pra você querido (a) que ainda não entendeu direito, vamos facilitar, pode chama-lo de Deus, o Incriado ou Criador (não é ”Ele”, nem ”Ela” para que fique claro).
Entende-se por si só que a consciência permeia tudo que existe, os arquétipos são entes conscientes. São emanações primordiais que dão ordem ao Cosmos (do grego antigo κόσμος, transl. kósmos, “ordem”, “organização”,”beleza”,”harmonia”). Se você está a ler este texto, logicamente, você existe como individualidade desta Consciência Universal que proporcionou além de sua individualidade, toda uma organização harmônica que vai desde elementos subatômicos, elétrons, moléculas, as substâncias químicas, o planeta, a fauna, a flora, teu corpo, para que pudesse haver esta interação perfeita, dentro de um sincronismo majestoso, somente possível, por atuação de UM Ser intranscritível inteligente.
 
Fica claro que o fenômeno da individualidade em distintos seres advindos desta Consciência Universal proporciona meios Desta ”interagir consigo mesma” numa ”aparente” segregação. Jung chamou a individualidade de ”Self”, a própria Consciência Universal fragmentada, e através de seus estudos da psique humana, denominou  ”ego”, como sendo a personalidade que a acoberta, possibilitando diferentes personalidades para tornar o ” Jogo Cósmico” (que chamamos de vida ou existência) mais dinâmico. A unificação deste ego com o Self (A Individualidade Cósmica) foi denominada por Jung de Individuação – que pode ser entendida como Iluminação ou ”Unificação com o Divino”.
 
Jesus Cristo – ”Eu e meu Pai Somos Um”.
 
Os arquétipos são consciências primordiais emanadas do Vácuo Quântico cuja objetividade se destina a direcionar e dar apoio a ordem de eventos no Universo que vai desde os macro, como a explosão de uma supernova, aos mínimos, como a interação polar entre os átomos.
 
Sobre o Vácuo Quântico – Livro ”Ser Quântico” de Danah Zohar
 
Danah Zohar estudou Física e Filosofia no MIT e fez pós-graduação em Filosofia, Religião e Psicologia na Universidade de Harvard. Ela é professora convidada na Faculdade de Administração da Universidade de Guizhou, na China. Ela foi incluída nos 2002 Financial Times Prentice Hall Minds livro negócio como um dos “maiores pensadores de gestão do mundo.
”Essa capacidade de aumento dos ritmos da evolução, e especificamente da
consciência em evolução, poderá sugerir a razão da existência humana. Talvez ela
revele por que estamos no Universo e nos dê uma boa noção de exatamente onde nos
encaixamos no esquema geral das coisas. Para compreender isso plenamente,
precisamos ver a ligação entre a física da consciência humana que venho propondo
neste livro e a física do “vácuo” quântico proposta pela teoria do campo quântico.
O vácuo quântico foi batizado muito inadequadamente, pois ele não é vazio. Ao
contrário, ele é a realidade básica, fundamental e subjacente da qual tudo no Universo
(inclusive nós) é expressão. Como dizem o físico inglês Tony Hey e seu colega Patrick
Walters: “Em vez de um lugar onde nada acontece, a caixa ‘vazia’ deveria agora ser vista
como uma ‘sopa’ borbulhante de pares de partículas virtuais—antipartículas”.9 Ou, nas
palavras do físico americano David Finkelstein: “Uma teoria geral do vácuo é, portanto,
uma teoria de tudo”.
Depois do Big-Bang no qual nosso Universo nasceu, havia o espaço, o tempo e o
vácuo. O próprio vácuo pode ser concebido como um “campo dos campos” ou, mais
poeticamente, como um mar de potencial. Ele não contém partículas e, no entanto, as
partículas surgem como excitações (flutuações de energias) em seu interior. Por
analogia, se vivêssemos num mundo de som, o vácuo poderia ser imaginado como a
superfície de um tambor, e os sons que ela produz como vibrações da superfície. O
vácuo é o substrato de tudo o que existe.
Mas, se pensarmos em Deus como algo inserido nas leis da física, ou algo que as
emprega, então o relacionamento entre o vácuo e o Universo existente sugere um Deus
que poderá ser identificado com o sentido básico de direção na expansão do Universo
— talvez até com uma consciência em evolução dentro do Universo. A existência de um
tal “Deus imanente” não impede que também exista um Deus transcendente; no entanto,
devido ao que conhecemos do Universo, o Deus imanente (ou o aspecto imanente de
Deus) nos é mais acessível.
Esse Deus imanente estaria sempre empenhado num diálogo criativo com Seu
mundo, conhecendo-Se a Si mesmo apenas na medida em que conhece Seu mundo.”

Arquétipo do ”Fim dos Tempos”
 
Escatologia (do grego antigo εσχατος, “último”, mais o sufixo -logia) é uma parte da teologia e filosofia que trata dos últimos eventos na história do mundo ou do destino final do gênero humano, comumente denominado como fim do mundo. Em muitas religiões, o fim do mundo é um evento futuro profetizado no texto sagrado ou no folclore. O tema é tão frequente em inúmeras culturas do mundo que negar o seu valor arquetípico seria negligenciar o árduo trabalho de gênios como Jung e Campbell.
Ficheiro:Keplers supernova.jpg
Supernova de Kepler

 

 
Na perspectiva temporal de um Cosmo eterno e em expansão, a projeção de eventos cíclicos vai de nível micro (o nascer e desaparecer de uma civilização) ao macro (o nascer e desaparecer de estrelas, sóis, sistemas, galáxias). Morte e renascimento são faces da mesma moeda, dependentes um do outro. O arcaico desintegrado serve de substância criativa ao novo.
Supernova é o nome dado aos corpos celestes surgidos após as explosões de estrelas (estimativa) com mais de 10 massas solares, que produzem objetos extremamente brilhantes, os quais declinam até se tornarem invisíveis, passadas algumas semanas ou meses. Em apenas alguns dias o seu brilho pode intensificar-se em 1 bilhão de vezes a partir de seu estado original, tornando a estrela tão brilhante quanto uma galáxia, mas, com o passar do tempo, sua temperatura e brilho diminuem até chegarem a um grau inferior aos primeiros.
Ficheiro:Cygnus Loop Supernova Blast Wave - GPN-2000-000992.jpg
Supernova na constelação de cisne
Os cadáveres da fauna, as folhas secas da flora servem de adubo a alimentar uma nova vegetação e seus inúmeros organismos vivos. As substâncias liberadas duma explosão estrelar servirá como subsídio para a formação de exóticos astros. Assim como uma civilização entra em decadência para outra tomar seu lugar.
 

Ouroboros

Ouroboros (ou oroboro ou ainda uróboro) é um símbolo representado por uma serpente, ou um dragão, que morde a própria cauda. O nome vem do grego antigo: οὐρά (oura) significa “cauda” e βόρος (boros), que significa “devora”. Assim, a palavra designa “aquele que devora a própria cauda”. Sua representação simboliza a eternidade. Está relacionado com a alquimia, que é por vezes representado como dois animais míticos, mordendo o rabo um do outro.

Segundo o Dictionnaire des symboles  o ouroboros simboliza o ciclo da evolução voltando-se sobre si mesmo. O símbolo contém as ideias de movimento, continuidade, auto fecundação e, em consequência, eterno retorno. Este símbolo arquetípico de períodos cíclicos dentro da eternidade é bastante recorrente em diversas culturas do planeta:

Ouroboros egípcio
Ouroboros grego

 

 

 

 

 

 

 

Ouroboros azteca
Ouroboros medieval

 

 

 

 

 

 

 

 


 

Coliseu

Ao decorrer da história ”oficial” vemos isto acontecer; a queda de impérios como o mesopotâmico, assírio, grego, romano etc.

Também temos indícios e provas irrefutáveis (não aceitas pela historiografia ortodoxa-materialista) de que uma humanidade distinta da atual habitou a Terra. Isto nos remete ao mito do dilúvio universal retratado em diversas culturas, que pela distância temporal e geográfica, seria impossível a sua transmissão. Isto confirma ainda mais a ação dos arquétipos na psique humana, que através de sua expressão simbólica pode ser retratada por inúmeros povos do planeta. É pertinente afirmar que tal evento foi tão grandioso que ficou impresso no inconsciente coletivo da humanidade.
 Pirâmides de 10 mil anos submersa no Japão
Reator Nuclear de Um reator nuclear antigo de 2 bilhões de anos
Antiguo-reactor-nuclear-Oklo-Gabón-africa2
Os cientistas investigaram a mina de urânio e os resultados foram divulgados em uma conferência da Agência Internacional de Energia Atômica. Os cientistas encontraram vestígios de produtos de fissão e resíduos de combustível em vários locais dentro da área da mina.




Vejamos alguns relatos do Dilúvio – (compilações retiradas da Internet )
 
Dilúvio Sumério
 
O mito sumério de Gilgamesh conta os feitos do rei da cidade de Uruk, Gilgamesh, que parte em uma jornada de aventuras em busca da imortalidade, nesta busca encontra as duas únicas pessoas imortais: Utanapistim e sua esposa, estes contam à Gilgamesh como conquistaram tal sorte, esta é a história do dilúvio. O casal recebeu o dom da imortalidade ao sobreviver ao dilúvio que consumiu a raça humana. Na tradição suméria, o homem foi dizimado por encomodar aos deuses. Segundo este mito, o deus Ea, por meio de um sonho, apareceu a Utanapistim e lhe revelou as pretensões dos deuses de exterminar os humanos através de um dilúvio. Ea pede a Utanapistim que renuncie aos bens materiais e conserve o coração puro. Utanapistim, então, reúne sua família e constrói a embarcação que lhe foi ordenada por Ea, estes ficam por sete dias debaixo do dilúvio que consome com os humanos. Aqui um techo de tal história:
“Eu percebi que havia grande silêncio, não havia um só ser humano vivo além de nós, no barco. Ao barro, ao lodo haviam retornado. A água se estendia plana como um telhado, então eu da janela chorei, pois as águas haviam encoberto o mundo todo. Em vão procurei por terra, somente consegui descobrir uma montanha, o Monte Nisir, onde encalhamos e ali ficamos por sete dias, retidos. Resolvi soltar uma pomba, que voou para longe, não encontrando local para pouso retornou (…) Então soltei um corvo, este voou para longe encontrou alimento e não retornou.” (TAMEN, Pedro. Gilgamesh, Rei de Uruk. São Paulo: ed. Ars Poetica, 1992.)
 
Dilúvio judaico
 
Segundo a Bíblia, Noé, seguindo as instruções divinas, constrói uma arca para a preservação da vida na Terra, na qual abriga um casal de cada espécie animal, bem como a ele e sua família, enquanto Deus, exercendo julgamento sobre os ante-diluvianos (povo de ações perversas), inundava toda a Terra com uma chuva que durararia quarenta dias e quarenta noites. Após alguns meses, quando as águas começaram a baixar, Noé enviou uma pomba, que lhe trouxe uma folha de oliveira. A partir daí, os descendentes de Noé teriam repovoado a Terra, dando origem a todos os povos conhecidos.
Na esfera cultural hebraica primitiva, o evento do Dilúvio contribuiu para o estabelecimento de uma identidade étnica entre os diferentes povos semíticos (todos descendentes de Sem, filho de Noé), bem como sua distinção dos outros povos ao seu redor (cananeus, descendentes de Canaã, neto de Noé, núbios ou cuxitas, descendentes de Cuxe, outro neto de Noé, etc.). No Antigo Testamento, Noé amaldiçoa Canaã e abençoa Sem, o que serviria mais tarde como uma das justificativas para a invasão e conquista da terra dos cananeus pelas Tribos de Israel.
 
Dilúvio Judaico-cristão
 
Ainda na Bíblia, Jesus faz referência ao evento, no Livro de Mateus:
E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem.                         Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam davam se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca,                                                                    E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem.             Mateus 24:37-39
 
Dilúvio Hindu

 

Matsya
Na mitologia hindu, textos como o Satapatha Brahmana mencionam a história purânica de um grande dilúvio, em que o Matsya, o avatar do deus Vishnu, adverte o primeiro homem, Manu, sobre um dilúvio iminente e também aconselha-o a construir um barco gigante.
 
Dilúvio Grego
 
A mitologia grega relata a história de um grande dilúvio produzido por Poseidon, que por ordem de Zeus havia decidido pôr fim à existência humana, uma vez que estes haviam aceitado o fogo roubado por Prometeu do Monte Olimpo.  Deucalião e sua esposa Pirra foram os únicos sobreviventes. Prometeu disse a seu filho Deucalião que construísse uma arca e nela introduzisse uma casal de cada animal, de forma análoga à Arca de Noé. Assim estes sobreviveram.
 
Dilúvio Mapuche
 
Nas tradições do povo Mapuche igualmente existe uma lenda sobre uma inundação do lugar deste povo e do planeta. A lenda se refere à história das serpentes, chamadas Tentem Vilu e Caicai Vilu.
“…obedecendo as ordens do espírito das águas, em forma de uma serpente monstruosa que conhecida com o nome de CaiCai Vilu, as águas de mar iniciaram um movimento veloz inundando as terras e sepultando seus habitantes. Então se apresentou o espírito protetor da terra em forma de serpente chamada TenTen Vilu…” (Mito chilote – Chile)
 
Dilúvio Maia
 
A mitologia do povo maia relata a existência de um dilúvio enviado pelo deus Huracán. Segundo o Popol Vuh, livro que reúne relatos históricos e mitológicos do grupo étnico maia-quiché, os deuses, após terminarem a criação do mundo, da natureza e dos seres vivos, decidiram criar seres capazes de lhes exaltar e servir. São criados então os primeiros seres humanos, moldados em barro. Porém, esses seres de barro não eram resistentes ao clima e à chuva e logo se desfizeram em lama.

Então, os deuses criaram o segundo tipo de seres humanos, à partir de madeira. Essa segunda humanidade, ao contrário da primeira, prosperou e rapidamente se multiplicou em muitos povos e cidades (tudo indica que é nessa época da segunda humanidade que se passam as aventuras dos gêmeos heróis Hunahpú e Ixbalanqué contra os senhores de Xibalba). Mas esses seres feitos de madeira não agradaram aos deuses. Eles eram secos, não temiam aos deuses e não tinham sangue. Se tornaram arrogantes e não praticavam sacrifícios aos seus criadores. Então, os deuses decidem exterminar essa segunda humanidade através de um dilúvio. Ao contrário da maioria dos outros relatos conhecidos sobre dilúvios, nenhum indivíduo foi poupado.
Após a catástrofe, a matéria prima utilizada para moldar os novos seres humanos foi o milho. Foram criados quatro casais, que são considerados os oito primeiros índios quiché. Eles deram origem às três famílias fundadoras da Guatemala, pois um dos casais não deixou descendência.
 
Dilúvio Asteca
Representação da deusa Chalchitlicure
No manuscrito asteca denominado como Código borgia, há a história do mundo dividido em idades, das quais a última terminou com um grande dilúvio produzido pela deusa Chalchitlicue.
Dilúvio Inca
Representação do deus Viracocha
 
Pedro Sarmiento de Gamboa, cronista espanhol do século XVI, relata como os Incas narravam sua criação e as lendas que eram passadas através da oralidade de geração em geração, desde o surgimento de Viracocha e seus ensinamentos, procurando definir um homem que o venerasse e fosse pregador de seus conhecimentos. Em algumas tentativas de criar este homem, Viracocha acaba punindo-o com um grande dilúvio pela não obediência como comenta Gamboa(2001),:Mas entre eles nasceram como vícios de orgulho e ambição, eles transgrediram o mandamento de Viracocha Pachayachachi que a queda para esta transgressão na sua indignação , os confundiu e amaldiçoou . E então houve alguns transformado em pedras e outros de formas , outras terras e outras mar bebida, e, especialmente, os enviou uma inundação geral que eles chamam de Unu pachacuti , que significa ” água que interrompeu a terra. ” E eles dizem que choveu sessenta dias e sessenta noites, e foi inundado toda a criação, e que só foram alguns sinais que convierteron em pedras à memória o fato e exemplo para o futuro em edifícios pucara que é sessenta léguas Cuzco. ( P. 40 )
 
Dilúvio Chinês
 An ancient painting of Nüwa and Fuxi unearthed in Xinjiang.
Porém onde nos encontramos com uma figura sugestivamente paralela à de nosso bíblico Noé, é na China, onde a água sempre esteve em estreita relação com o nascimento da terra e o gênero humano. Foi o grande herói YÜ, o domador das águas, quem conseguiu que estas se retirassem para ornar, logrando assim que as terras ficassem aptas para o cultivo, contribuindo ao engrandecimento da população. Dos distintos relatos do dilúvio temos o de Fah-le, ocasionado pelo crescimento dos rios ao redor de 2.300 a.C. Mas a tradição mais extensa é a que tem a Nu-wah como protagonista, que se salvou junto com sua mulher, seus três filhos e as esposas destes em uma nave construída para eles e para dar capacidade e salvamento a um par de cada espécie animal que habitava a terra. Tão arraigada está a lenda de Nu-wah que hoje em dia é escrita a palavra “nave” em chinês, representada por uma barca com oito bocas dentro, aludindo aos oito navegantes que foram salvos da catástrofe. Também o Gênesis diz que Noé foi salvo juntamente com outras sete pessoas.
 
Dilúvio Mongol
 
Hailibu, um caçador muito bondoso e generoso, um dia salvou uma serpente branca de um pássaro que a tinha atacado. No dia seguinte, ele encontrou a mesma serpente acompanhada por um séquito de outras serpentes.A serpente contou a Hailibu que era filha do Rei Dragão, e que seu pai desejava retribuir seu gesto. Ela aconselhou Hailibu a pedir pela pedra preciosa que o Rei Dragão mantinha em sua boca.
Com esta pedra, ela lhe disse, ele seria capaz de compreender a linguagem dos animais, mas acabaria se transformando em pedra caso revelasse este segredo para qualquer pessoa.

Então, Hailibu foi até o Rei Dragão, e depois de recusar um a um os seus magníficos tesouros, recebeu a pedra. Anos depois, Hailibu ouviu alguns pássaros dizendo que em alguns dias uma grande inundação atingiria a Terra.Ao saber disso, Hailibu correu até o seu vilarejo para avisar seus vizinhos, mas ninguém acreditou nele. Para convencê-los, Hailibu contou como ficou sabendo do dilúvio que se aproximava, e teve que contar também toda a história da pedra preciosa. Quando terminou de contar, imediatamente ele virou uma pedra.
Os habitantes do vilarejo fugiram desesperados, certos de que uma inundação a caminho. A chuva caiu forte nos dias seguintes, e as montanhas se abriram, causando grande inundação. Quando as pessoas voltaram, encontraram a pedra na qual Hailibu tinha se transformado e a colocaram no topo da montanha. Por muitas gerações o povo realizou oferendas em honra ao sacrifício de Hailibu.
 
Dilúvio dos índios  Tupinambás– (Retirado do livro :Os índios nas cartas de Nóbrega e Anchieta)
 
Quanto à fonte que inundou a terra, fragmento do mito tupi de criação da Terra, os jesuítas o associaram ao dilúvio bíblico. Em carta do primeiro ano (IV), Nóbrega falava de uma ”versão errada”: Sabem do dilúvio de Noé, bem que não conforme a verdadeira história: pois dizem que todos morreram, exceto uma velha que escapou em uma árvore.”
Retomando-a (Carta V), diz:”Têm memória do dilúvio, porém falsamente, por que dizem que cobrindo-se a terra d´água, uma mulher com seu marido subiram num pinheiro e, depois de mindaguas as águas, se deceram, e desses se procederam todos os homens e mulheres.”
Anchieta (Carta XXXIX) também diz que os índios ”tem alguma notícia do dilúvio, mas muito confusa, por lhes ficar de mão em mão dos maiores que contam a história de diversas maneiras.”

Simbolismo
 
O dilúvio também tem um significado simbólico para psique tanto individual quanto coletiva, representando a força das águas num aspecto turbulento, de perda de controle, irracionalidade e emoções destrutivas. Por si só a água guarda o simbolismo da destruição (em estado caótico) e de purificação (pois dela a vida se origina e se nutre).

 O fim de nossa civilização atual
 
Não se precisa de muitos questionamentos para se chegar a conclusão que este Arquétipo do ”Fim dos Tempos” – da destruição do velho para o avivamento do novo – esta tomando cada vez mais força na psique em nível coletivo de nosso planeta. O caos social, político, ambiental, econômico e religioso entre os povos se mostra irreconciliável. Os interesses egoístas (ego) por poder estão em total desacordo com uma harmonia cósmica (Self) de equilíbrio dos seres humanos e dos ecossistemas planetários. O fim desta nossa civilização atual também é marcante na cultura de inúmeros povos ao decorrer da história.
Vejamos algumas representações:( Trechos compilados -Aventuras na História -José Francisco Botelho)
 
Hinduísmo, séculos 18 a.C. a 10 d.C A roda do tempo
 
Kalki destruirá os ímpios com a espada de cometa
Há mais de 3 mil anos, os hindus já tinham complicadas profecias em livros sagrados como os Vedas e os Puranas. “As religiões ocidentais têm uma concepção linear do tempo. Já para a hindu, que influenciou o budismo, o tempo é cíclico, com o Universo alternando fases de atividade e de repouso”, diz Swami Nirmalatmananda, presidente da Ordem Ramakrishna no Brasil. Segundo o hinduísmo clássico, o Cosmo foi criado pelo deus Brahma (Consciência Universal).
Representação de Kalki avatar

O fim de cada mahayuga é marcado pela decadência moral da humanidade. É quando Vishnu (Brahma manifesto -Self) tem que restaurar a ordem. Dizem os Puranas que a sua próxima encarnação, chamada Kalki, “irá destruir os ímpios e os ladrões e todas as mentes devotadas à iniquidade”. A Terra será incinerada e ressurgirá das cinzas. Após cada kalpa, seu dia divino, Brahma irá dormir e, ao fechar os olhos, o Universo desaparecerá nas trevas – para reaparecer bilhões de anos depois, quando ele acordar. Assim, o ciclo de destruição e ressurgimento jamais acaba.
A crença no tempo circular era a concepção mais comum entre os povos da Antiguidade. O estoicismo, linha filosófica surgida na Grécia no século 3 a.C., apregoava a ocorrência da ekpyrosis, a destruição de tudo em uma explosão de fogo purificador a cada 15 mil anos. Os celtas acreditavam que o céu caía periodicamente sobre a Terra – curiosamente, há um mito semelhante entre os brasileiríssimos jurunas.

 
Mazdaísmo, séculos 5 a.C. a 9 d.C.

 

Ahura Mazda vs Arimã
O criador dessa visão de Juízo Final foi o persa Zaratrusta (ou Zoroastro). Ele teria nascido entre os séculos 10 e 5 a.C. no atual Irã. Filho de um agricultor pobre, partiu aos 30 anos para viver sozinho no deserto. Saiu de lá com os princípios de uma nova religião, o mazdaísmo, que logo se espalhou por toda a Pérsia. Ela cultuava um só deus (Self) e admitia a existência de sua antítese maligna (ego). O demoníaco Arimã guerreava constantemente contra o benfazejo Ahura Mazda pelo controle do Universo. Essa batalha era um grande drama cósmico com um desfecho definitivo, narrado no Zend Avesta e no Bundashin (escritos entre os séculos 5 a.C. e 9 d.C.). Num futuro indeterminado, Ahura enviará à Terra seu último profeta: Shaosyant, que ressuscitará os cadáveres de sua tumba. Depois, um Anjo de Fogo derreterá as montanhas. O mundo será coberto por um oceano de lava e metal – os vivos e os mortos terão de atravessá-lo descalços. “Para os justos, o rio de fogo será suave como leite fresco, mas os ímpios e os pecadores arderão nas chamas, até serem purificados”, diz o Bundashin. O mundo será reconstruído, Arimã (egoísmo) será destruído e o mal deixará de existir.
 
Judaísmo, século 2 a.C.  O Livro de Daniel
Daniel na cova com os leões

 

Ele previu a vinda do Messias, destinado a libertar os judeus, punir os maus e dar início a uma era de paz interminável.
“O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuário feitos por mãos humanas… de um só fez toda a raça humana… havendo fixado os tempos previamente estabelecidos…para buscarem a Deus… Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda a parte, se arrependam; porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos.” (At 17:24).
 
Cristianismo, século 1 As revelações de João
Obra de Albrecht Durer
 
Quando o Livro das Revelações foi escrito, os cristãos eram ferozmente perseguidos pelo Império Romano .[Isto leva a muitos historiadores deduzirem que a visão de João se destina ao fim do Império Romano, contudo, levando-se em conta uma visão arquetípica e não uma visão pobremente historiográfica, pode ser tratada tanto em nível micro (fim da civilização romana) quanto macro (fim da civilização planetária)].
”1Então vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra haviam passado; e o mar já não mais existia. 2Vi também a Cidade Santa, a nova Jerusalém, que descia dos céus, da parte de Deus, adornada como uma linda noiva para o seu esposo amado. 3E ouvi uma forte voz que procedia do trono e declarava: “Eis que o Tabernáculo de Deus agora está entre os homens, com os quais Ele habitará. Eles serão o seu povo e o próprio Deus viverá com eles, e será o seu Deus. 4Ele lhes enxugará dos olhos toda a lágrima; não haverá mais morte, nem pranto, nem lamento, nem dor, porquanto a antiga ordem está encerrada!” Apocalipse (Cap 21: 1-4).
 
Islamismo, século 7

 

Arcanjo Gabriel dando a revelação a Maomé
Na tradição muçulmana, o Anticristo é Masih-Al-Dajjal, “o falso profeta”, que tentará dominar o mundo. Ele será derrotado pelo Mahdi, espécie de Messias islâmico, que será ajudado em sua tarefa por ninguém menos que “Issa, filho de Miriam”, ou Jesus. Após a batalha final, o anjo Israfil tocará sua trombeta e começará o grande Julgamento, que durará entre mil e 50 mil anos. Até as plantas e os animais serão ressuscitados e virão depor contra a humanidade.O momento decisivo da humanidade é chamado “A Hora” para os muçulmanos.
 
Vikings, por volta do século 13
Os vikings, que habitavam a Escandinávia na Idade Média, foram um dos últimos povos europeus a se converterem ao cristianismo. E previram um apocalipse pagão e amoral. É a lenda do Ragnarok, ou A Morte dos Deuses, contada nos Eddas, escritos por volta do século 13. Os vikings já eram cristãos e conheciam o Armagedom da Bíblia, mas as histórias falam de seus deuses antigos, que habitavam o mítico país de Asgard, sob o governo de Odin. O papel de vilão cabia a Loki, expulso de Asgard por causa de suas tramas contra os parentes divinos.Tudo começará com o Fimbulvert, um inverno sobrenatural que durará três anos. Loki, então, comandará um exército contra Asgard. Suas tropas incluirão gigantes e monstros, como Fenrir, o lobo demoníaco, e Jormungad, uma serpente saída dos confins do oceano. Heimdall, o arauto dos deuses, soprará sua trombeta .Asgard virará um cemitério, e os humanos serão exterminados.
 
Maias, século 3
 
O primeiro registro maia de seu uso é do século 3. Composta de uma combinação de cinco algarismos, ela era gravada em templos para comemorar grandes eventos. Os algarismos aumentam da direita para a esquerda, começando em 0.0.0.0.0. Após 1 milhão e 872 mil dias (5125,37 anos), a marcação volta a zerar. Para os maias, o período entre as duas “datas zero” equivalia a um Grande Ciclo ou Era – a cada rodada de zeros, o Universo seria renovado pelos deuses. No século 20, foi descoberta a sincronia entre a Conta Longa e o calendário gregoriano. Assim, a “data zero” inicial seria 11 de agosto de 3114 a.C. Para os maias, essa era uma referência sagrada, o início do ciclo que terminaria na próxima “data zero”: 21/12/2012. Mas estudiosos já contestam esse cálculo e, sobretudo, os maias jamais previram o ”fim do mundo”. Acreditavam num tempo cíclico, mas sem as repetidas destruições da religião hindu, que, aliás, tinha similaridades com a mitologia dos astecas, segundo os quais o mundo já fora arrasado quatro vezes.

Para Refletir
 
Caro leitor, faça uma reflexão após a leitura deste texto, e questione a si mesmo se está no caminho da Individuação (de união com o Self – o Eu cósmico) ou se está sendo tragado pela força arquetípica que logo se concretizará por completo em escala planetária, possibilitando uma nova civilização consciente de sua natureza cósmica.

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