Por que ainda vivemos uma visão geocêntrica da existência?


A partir da obra ” Sobre a revolução dos orbes celestes” (1542) de Nicolau Copérnico, o paradigma cosmológico medieval proposto no século II por Cláudio Ptolomeu, baseada na obra de Aristóteles o ” Tratado do céu ” – cuja Terra se encontra imóvel no lugar central do universo (geocentrismo) – foi abalado provocando mudanças significativas na visão civilizatória, impulsionando os primeiros passos da chamada revolução científica.


Apesar de Copérnico revolucionar com o heliocentrismo, o mesmo ainda tinha a ideia de um cosmo fechado e limitado pelas esferas. A concepção do cosmo infinito tem suas raízes mais na metafísica do que na astronomia e na física. Foi Nicolau de Cusa, cardeal alemão do Renascimento,que em sua obra de influência neoplatônica ”De docta ignorantia” (Sobre a sábia ignorância), de 1440, trouxe a perspectiva immensum, de infinitude. Mais tarde Giornado Bruno leva a ideia adiante com a obra (1583) ” De I´ Infinitu universo e modi” (Sobre o universo infinito e os mundos), a defesa de sua visão o levou para a fogueira inquisitória em 1600.


Imaginem a treva e o sofrimento em que vivia a civilização medieval, vivendo num universo em que a Terra centralizava o cosmo, tendo acima desta o céu e abaixo o inferno, sem a mínima condições de questionamento e enfrentamento. A condição estamental e o poderio científico e espiritual nas mãos da impiedosa instituição católica – uma autoridade amedrontadora de direcionamento existencial. Não seria absurdo pensar que Copérnico teve a obra condenada (1616) com base no trecho bíblico em que diz que Josué pede a Jeová que faça o sol parar no céu até a derrota de seus inimigos (Josué, 10, 11 -13) ou seja, se o sol parou, é porque se movia em torno da Terra.


Voltando ao nosso tempo, os valores da física newtoniana baseia o paradigma civilizatório atual. A visão do mundo pré-determinado por leis mecânicas previsíveis, funcionando como uma máquina, onde os humanos são figuras isoladas um do outro e do meio em si. Os inúmeros estudiosos das ciências humanas nem desconfiam que toda a separatividade política, social, étnica e econômica não tem resolução por ter como âmago a visão newtoniana (materialista) do universo. Choramingam, reclamam, mas insistem em assim pensar e agir, pois este modelo é conivente para as instituições de poder.

CERN – Investigação do mundo subatômico.

Os achados e as provas cabais da física quântica contrapõem a visão determinista, do mundo como uma maquininha. Infelizmente estas não são aderidas a concepção e organização da sociedade humana por interferir no doentio status quo. Utiliza-se para o aparato tecnológico; bomba atômica, Smartphone, ressonância magnética etc. Agora, o que a física quântica realmente significa para nossa existência é rechaçado. Os resistentes não querem ver sua visão ilusória da existência (politica, econômica e religiosa) serem desmanteladas. Apesar de se usar o Smartphone pra postar e reafirmar o paradigma arcaico todos os dias.

Você se pergunta – mas o que demonstra a física quântica que contradiz o paradigma da física clássica?


Simples. 1-O mundo sub-atômico estudado não apresenta determinismo. 2-”Abaixo ”do nível sub-atômico existe uma ”rede” que conecta tudo que existe, não existe separação, é tudo uma coisa só (uma única onda) que permeia todo o confim do universo. E mais, esta ”rede”, em última instância, é a única Realidade realmente existente, pra facilitar o entendimento desta abstração, pense num oceano de energia borbulhando, deste Oceano emerge tudo que existe desde às partículas sub-atômicas ao mundo atômico concreto.

 


A implicação da descoberta da dualidade partícula-onda nos esclarece sobre isto. Tudo é partícula e onda ao mesmo tempo. Este caráter ondulatório nos remete a este Oceano de energia que a tudo dá origem, permeando todo o universo. Detalhe, este Oceano de energia não é uma força cega, é consciente e infinita. Vários nomes são lhe dado, o Campo, Matriz, o Eter dos antigos. Prefiro chamar de Consciência Universal, e por que não de Deus? Com certeza isto seria muito inconveniente pros religiosos que o vêem como o velho barbudo num trono. Não existe nada ”fora” deste campo, existimos dentro Deste, Este é tudo que existe. Qual o problema que nisto há? O que impede a ciência de investigar a uma ”Força Transcendente”. Se a ciência tem um propósito de busca de Verdade, inevitavelmente teria de chegar na esfera metafísica. Tamanho tabu tocar neste assunto! Perdoem-me os religiosos cheios de crendices e os cientistas materialistas, mas tenho que lhes dizer que ambos estão descompromissados com a Verdade! São vocês demasiadamente preguiçosos, tanto para buscarem uma espiritualidade real tanto quanto uma ciência verdadeira! Vocês tem preguiça de pensar, de buscar, se saciam com o pouco que lhes foram vomitado!

 

De origem indiana e radicado no EUA, Amit, Ph.D., é professor titular de física quântica no Instituto de Física Teórica da Universidade de Oregon e se destaca, entre seus congêneres, por contribuir para uma nova visão de mundo. Pulicou dezenas de artigos na área quântica, passando a se dedicar ao estudo que  chamou de ”Ciência e Consciência”.

Vejamos o caso duma pessoa sincera na busca que faz, o dr Amit Goswami, que após uma vida de estudo no paradigma materialista teve sua vida transformada diante o resultado dos experimentos, o levando a uma profunda mudança existencial.
(Goswami explica sua cosmologia pessoal sobre como a consciência cria o mundo material:
“A nova ciência diz que a parte material do mundo não existe…mas não é a única parte da realidade. [A visão toda], a integração do espiritual e o científico, foi muito importante para mim…porque descobri a nova maneira de fazer ciência quando descobri o espírito. O espirito foi a base natural do meu ser. O mundo material da física quântica é apenas possibilidade. É através da conversão da possibilidade em realidade que a consciência cria o mundo manifesto…O universo é autoconsciente, mas é autoconsciente através de nós…[com seres humanos conscientes] há então a possibilidade de criatividade manisfesta…agora que reconheci que a consciência foi a base do ser, dentro de alguns meses se resolveram todos os problemas da teoria da mensuração quântica, os paradoxos de mensuração, simplesmente desapareceram. O resultado seguinte foi a criatividade…desde então tenho sido abençoado de ideias após ideias e muitos problemas se resolveram – o problema da cognição, da percepção, da evolução biológica, da cura mente-corpo.”)

Assista a entrevista no Roda Viva:

Mais informações em : http://www.amitgoswami.com.br/

Experimento como o da Dupla Fenda nos demonstra que a consciência permeia todo o universo, não existe nada ”morto”, tudo é vivo numa imensa rede criadora. O próprio elétron tem consciência agindo de acordo com a vontade do observador (no caso, o cientista que realiza o experimento), tudo que existe é consciente. A Consciência é a realidade que dirige a tudo. Ou achas que tua célula não têm consciência? Que ela não sabe do papel dela na manutenção da vitalidade de seu organismo físico?

Entenda o experimento da Dupla Fenda:

https://cienciaespiritualidadeblog.wordpress.com/2015/10/29/a-existencia-da-consciencia-uma-realidade-inegavel/

Bem, retornando a temática referida pelo título: Por que ainda vivemos uma visão geocêntrica da existência?

(O que todos estes experimentos têm de impacto na vida diária das pessoas? Quem vai atrás de entender o que estes significam? Quantos estão dispostos a explicá-los para os demais? Quando a física moderna será introduzida no currículo de todas as escolas do planeta?)

No paradigma newtoniano no mundo-máquina o Cosmo pode ate ser irrelevante e desinteressante para a vida prática do homem, mas com todo estas comprovações atuais o homem continua numa delirante passividade. É uma informação comum de que o universo está em expansão, mas isto não parece impressionar os humanos que preferem continuar atolados nas coisinhas do mundo à uma reflexão do que isto pode significar. 
Existe um Cosmo infinito em todas as direções, mas o centro do homem ainda está nas superficialidade do planeta Terra; as contas pra pagar, a briga política dos ”reaças e dos coxinhas”, a rodada do brasileirão, a missa dominical, o boteco no final de semana, a conquista da próxima balada, a disputa econômica entre as nações e etc. O modelo geocêntrico é vivido pela humanidade em geral.

Será que é preciso de uma vivência de ter de sair do planetinha azul para perceber o tamanho das asneiras que as crenças humanas tem reproduzido? Não seria estas as causas do sofrimento humano? Indago isto pelo impacto que uma vivência desta magnitude representa na vida de astronautas que por isto passaram.

Russel Scheickhart, astronauta formado em Aeronáutica e Astronáutica pelo Instituto de Tecnologia de Massachussets. Integrante da equipe da NASA na década de 60 e 70.

 

O astronauta Russel Scheickhart ao regressar à Terra testemunhava a mudança de paisagem mental :

” Vista a partir de fora, a Terra é tão pequena e frágil, uma pequenina mancha preciosa que você pode cobrir com seu polegar. Tudo o que significa alguma coisa pra você, toda a história, a arte, o nascimento, a morte, o amor, a alegria e as lágrimas, tudo isso está naquele pequeno ponto azul e branco que você pode cobrir com seu polegar. E a partir daquela perspectiva se entende que tudo mudou, que começa a existir algo novo, que a relação não é mais a mesma como fora antes.”

James Irwin, tripulante da missão Apollo 15 e o oitavo homem a andar na superfície da lua.

O astronauta James Irwin, relata:”

A Terra nos recorda uma árvore de natal dependurada no fundo negro do universo; quanto mais nos afastamos dela, tanto mais vai diminuindo seu tamanho, até finalmente ser reduzida a uma pequena bola, a mais bela que se possa imaginar; aquele objeto vivo tão belo e tão caloroso parece frágil e delicado; contemplá-lo muda a pessoa, pois ela começa a apreciar a criação de Deus e a descobrir o amor de Deus”.

Eugene Cernan, esteve no espaço por 3 vezes, na última como  comandante da Apollo 17.

Eugene Cernan:

” Eu fui o último homem a pisar na lua em dezembro de 1972; da superfície lunar olhava com temor reverencial para a Terra num transfundo muito escuro; o que eu via era demasiadamente belo para ser apreendido, demasiadamente ordenado e cheio de propósito para ser fruto de um mero acidente cósmico; a gente se sentia, interiormente, obrigado a louvar a Deus; Deus deve existir por ter criado aquilo que eu tinha o privilégio de contemplar; espontaneamente surge a veneração e a ação de graças; é para isso que existe o universo”.

Edgar Michell – participou da Missão Apollo 14, foi o sexto homem a pisar na la, onde passou nove horas. É doutor em astrofísica pelo Massachusetts Institute. Atualmente é um dos pioneiros do estudo avançado da consciência. É um dos fundadores da ION (Institute of Noetic Science), organização dedicada à financiar pesquisas  de  fenômenos parapsicológicos.

Nos diz o astronauta Edgar Mitchell:

” A Terra parecia uma joia verde e azul encrustada no céu da meia noite”, disse ele em estado de êxtase. Ele compreendeu, naquele momento, a grandeza de Deus e a existência de uma outra forma de ver o mundo, uma outra realidade.
“Esta experiência de ver a terra e nosso sistema solar inteiro, na perspectiva do cosmos, teve um efeito muito profundo em mim… o de estar conectado com o universo e o sentimento de estar interligado a todas as coisas… Nós fomos à lua como técnicos – voltamos como Seres Humanos Cósmicos.”

“Num só instante percebi que este universo é inteligente. Ele segue numa direção e temos algo a fazer com essa direção. E esse espírito criativo, o intento criativo que tem sido a história deste planeta, que vem de dentro de nós e oque está lá fora – é totalmente o mesmo… A própria consciência é o que é fundamental e a energia-matéria é produto da consciência…Se mudarmos nossas mentes sobre quem somos – e pudermos nos ver como seres que criam experiência física, unidos por esse nível da existência que chamamos de consciência – então começaremos a ver e criar este mundo em que vivemos de modo bastante diferente.”
(“Existem duas escolas filosóficas. Uma que afirma que a matéria é a realidade absoluta e a outra que diz que a consciência é a realidade absoluta. O que nos parece agora é que nenhuma das duas está inteiramente correta. As duas coisas evoluem ao mesmo tempo, simultaneamente. E antes da matéria e da consciência o que existe é o que se chama de campo de quantum zero, que poderia ser chamado de Deus. Ou seja, o que não é criado. A partir disso surgem as duas realidades simultâneas, a matéria e a consciência. E evoluem juntas, interagindo.”)


Pergunto; Será que seria necessário enviar cada habitante da Terra à uma viagem espacial para que o indivíduo seja levado a uma reflexão acerca das crenças terrestres, para experienciar o sentimento de união cósmica e para que se desperte o interesse pela expansão de consciência pessoal?
Não. A mesma substância cósmica, consciente, permeadora de todo universo se encontram dentro do próprio homem. Assim não é dito há milênios pelas filosofias orientais, herméticas e nas mensagens religiosas não compreendidas?


Muito é dito que ” o reino está dentro de vós, e também fora”, ” o que é em cima assim é em baixo”.

Vamos dar um salto civilizatório ou vamos continuar achando que só existe esta realidade de nossas vidinhas, à espera de um céu sobre e um inferno abaixo de nós? Ou que não existe nada além da matéria?

Vamos ser coerentes com nossas crenças, sérios perante nosso existir? Pois se não formo coerentes, não passaremos de medievais com computadores em mãos.

Participe da comunidade no Facebook: Decifrando a Linguagem Religiosa sob o Óptica Quântica

https://www.facebook.com/Decifrando-a-Linguagem-Religiosa-sob-a-%C3%93ptica-Qu%C3%A2ntica-533063060192010/?fref=ts

Exercícios de expansão de consciência podem ser encontrados neste blog  A Religião como uma linguagem não compreendida da consciência

Parte 1- Mesopotâmia e Egito

https://cienciaespiritualidadeblog.wordpress.com/2015/11/06/a-religiao-como-linguagem-nao-compreendida-da-consciencia-parte-1/

Parte 2-Zoroastrismo e Mitologia Greco-romana

https://cienciaespiritualidadeblog.wordpress.com/2015/11/06/a-religiao-como-linguagem-nao-compreendida-da-consciencia-parte-2/

Parte 3 – Judaísmo e Cristianismo

https://cienciaespiritualidadeblog.wordpress.com/2015/11/06/a-religiao-como-linguagem-nao-compreendida-da-consciencia-parte-3/

Parte 4- Islamismo

https://cienciaespiritualidadeblog.wordpress.com/2015/11/06/a-religiao-como-linguagem-nao-compreendida-da-consciencia-parte-4/

Parte 5 – Hinduísmo e Budismo

https://cienciaespiritualidadeblog.wordpress.com/2015/11/07/a-religiao-como-linguagem-nao-compreendida-da-consciencia-parte-5/

Exercício de proporção do Micro ao Macrocosmos:

https://cienciaespiritualidadeblog.wordpress.com/2015/11/02/1-3-exercicio-de-proporcao-do-micro-ao-macrocosmo/

Lucas de Sousa Teixeira

3 comentários sobre “Por que ainda vivemos uma visão geocêntrica da existência?

  1. Essa matéria é para aqueles q se acham muito cultos, imaginando que vivemos neste mundo anos após ano, meses após meses, dias após dias, enfim, infinitamente no tempo para passarmos alguns anos nesse único mundinho sem cultura e até parecendo que Deus é uma coisa aleatória que faz e desfaz como se ordem não existisse e nem propósito! Que Deus nos perdoe!

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  2. Eu acredito que a Fisica Quântica representa a antecipação aos paradigmas da ciência clássica, mas algumas interpretações me chamam a atenção; Não é concebivel que as Leis Universais sujeitem seus fenômenos, ou mesmo fenômenos pontuais, á interferências de consciências intermediárias e inferiores.
    Sob as Leis Universais, o ser humano cria a sua realidade, através de mentalizações e atitudes, consciente ou inconsciente, com a influência dessas Leis agindo de forma compulsória.
    Acredito na Autonomia Universal e na inteligência implicita que a dirige, contida parcialmente em todas as particulas, mas potencializada quando essas particulas criam campos de energia diversos, destinados á materializar os diversos fenômenos da natureza…

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