A Religião como Linguagem não compreendida da Consciência Parte 2

Zoroastrismo, Religião na Pérsia Antiga

Zoroastro foi um antigo profeta da Pérsia (região onde atualmente é o Irã). Personagem histórico, afirmado por toda a antiguidade clássica, viveu provavelmente entre o século VI e o século VII antes de Cristo. Aos vinte anos retirou-se do mundo para se entregar a meditação. Aos trinta anos começou sua vida pública. Ele viveu e ensinou entre as tribos seminômades, longe de todo o contato com a civilização das cidades da Babilônia e da parte ocidental do Irã.

Em sua pregação, Zoroastro foi bastante combatido pelos sacerdotes dos antigos cultos e seus seguidores . No Zend Avesta, de sua autoria, Zoroastro proclama seus ensinamentos de discernimento da vida, que reflete os triunfos de uma personalidade consciente.

Têm-se a convicção que a partir do Zend Avesta, a visão dualista do mundo, bem e mal, foi empregada e difundida, contudo é preciso compreender o que ele realmente quis dizer ao introduzir estes conceitos. Para Zoroastro, estas são intenções que se resolvem dentro da mente humana. O bom pensamento ou boa mente cria e organiza o mundo e a sociedade, o mau pensamento ou má mente faz o contrário. Cabe ao ser humano fazer uma escolha e ele tem o poder e a capacidade de fazê-la.

Favela em Lagos, capital da Nigéria . A inconsciência desta coletividade (a merce de todo tipo de influência e manipulação) é expressa nesta lamentável realidade exterior ( Vide colapso da função de onda) , condizente com os pensamentos e sentimentos deste coletivo.

Com toda a comprovação científica testada pela mecânica quântica, é sabido que o pensamento e o sentimento geram frequências e estas atraem determinada situação de acordo com a intenção dos indivíduos, criando assim a realidade individual e coletiva destes que as geram. É fácil perceber o que os seres humanos do nosso planeta estão pensando e sentindo, pela realidade que vemos todos os dias nos noticiários; doença, matanças, caos social e etc.

O Cosmo inteiro está a seu favor quando escolhe a boa mente, enquanto que a má mente isola e, portanto, angustia quem por ela opta. Essa escolha é feita no dia-a-dia da pessoa, em cada ação. Ninguém pode fazer uma opção definitiva, esse é um mecanismo dinâmico e progressivo. Essa escolha não desencadeia a salvação ou perdição de ninguém, porque ela é parte de um processo de aprendizagem contínuo, aberto e reformável de acordo com o contexto. Com o progresso de cada indivíduo também progride o mundo, e assim é acelerado o aperfeiçoamento do universo. O quadro só será completado quando todos tiverem chegado lá, quando todos estiverem no mesmo nível de progresso, atingindo altos graus de Consciência de percepção Cósmica, de Unidade e Amor Incondicional.

As pessoas que vão descobrindo a capacidade que têm de fazer essa opção vão se unindo na descoberta natural de que são parte de um todo magnífico, que se forma em parceria com  a Consciência Universal/Deus/Todo/Vácuo. Nessa frequência não há lugar de destaque a fé ou para a crença. Toca-se a Realidade Cósmica diretamente.

Citemos agora algumas frases desta grande Consciência, para que as mesmas gerem uma reflexão de cunho consciente, todas elas são auto-explicativas, ainda sim estarão seguidas de breves comentários:

” Cada pessoa dirigida por uma boa mente, bom discernimento e boa consciência, deve trabalhar pela melhora de si mesmo, do outro, e da vida no mundo. ”

(Correto pensar, correto sentir, correto agir-princípios da mecânica quântica-lei da atração.)
(Um indivíduo ao despertar a sua consciência deixará cada vez mais de lado seus interesses mundanos [ego], pois quanto mais desperta, mais amor sente, mais vai querer se doar aos outros por espontânea vontade.)

”Um homem sábio crê em um Deus, o sente em seu coração e sua mente, aceita a existência deste único Deus criador de todo Universo. ”

(Entra em fase em pensamento e sentimento com a Consciência Universal através do Self .)

”Os homens e as mulheres são iguais e desfrutam dos mesmos direitos em uma sociedade livre e responsável. ”

(O que seria uma afirmação destas numa sociedade da antiguidade machista e patriarcal,  ate hoje esta afirmação apresenta grandes implicações. A consciência está além dos gêneros.)

”O que lavra a terra com dedicação tem mais mérito religioso do que poderia obter com mil orações sem nada fazer. ”

(Muitas das orações e atividades religiosas são apenas uma busca de satisfação de desejos pessoais, se quer receber o bem, o faça.)

”Age como gostarias que agissem contigo. ”

(Ame teu próximo como a ti mesmo!?)

Diálogo entre Zoroastro e Mitra:

” Comovido e entusiasmado, tomou Zoroastro pela sua a mão do amigo e lhe disse:
– Abençoada a hora que te trouxe a mim; e sete vezes abençoada, se tens a força e coragem de aproximar-te da Luz, de quem unicamente emana a vida, a felicidade e a sabedoria.
– Como? – exclamou o amigo. – Quererias introduzir-me no teu templo, que com tanto cuidado fechas a outros?
Contestou Zoroastro:
– O meu templo é a Natureza, e, nem que eu quisesse, o que seria loucura, não poderia nunca fechá-lo a pessoa alguma.

(DEle tudo emergiu, dentro DEle tudo existe, tudo é Consciência, buscá-lo num templo seria absurdo, visto que a Consciência está em todo lugar e dentro de cada um.)

– Porém contam muitíssimos casos que repeles àqueles que desejam aprender de ti alguma coisa.
Perdoa-me se te digo o que penso. Se conseguiste conhecer a Sabedoria Superior – suponho que ela existe – por que a ocultas? Por que não a expões claramente ao povo, mas encobres a Verdade com véus de enigmas, alegorias e símbolos, que raras vezes um de muitas centenas de homens pode solver e compreender?
– Falas, Mitra, como todos aqueles que não têm ideia exata do assunto. De que utilidade ser-te-á, se te expuser o perfume de uma flor? Poderás, de tal exposição, sentir esse perfume e conhecer a flor?

(De nada adianta expor toda Realidade Cósmica se o homem não está preparado para entendê-la, por isto a linguagem religiosa e o uso de metáforas. O próprio Cristo utilizou-se frequentemente destas.)

De que te servirá se te descrever um banquete? Servir-te-á a minha descrição para matares tua fome? Analogamente, como posso fazer que alguém conheça a Sabedoria, se ele se recusa a procurá-la? Há Sabedoria morta e Sabedoria viva. A Sabedoria morta nos vem dos livros, das narrações, dos cálculos, das medições e considerações. Esta Sabedoria pode nos ser dada e pode nos ser tomada. Mas a Sabedoria Viva emana da eterna Fonte da Vida, dessa Fonte que, uma vez aberta, nunca desaparece e sempre nos fornece bases imperecíveis para nossas construções no domínio da Razão. Porém, é impossível explicar e ensinar esta Sabedoria; é mister apropriar-nos dela sim como  nos apropriamos do perfume da flor ou da comida; ou melhor dito, é mister que a despertemos em  nós, assim como, pelo perfume, da flor, se desperta em nós o sentido do olfato. Vês como é difícil dar uma explicação, mesmo geral. E quando se passa às minuciosidades, a dificuldade cresce, pois a nossa LINGUAGEM é demasiado pobre e o nosso ouvido é demasiado cru para essas coisas tão delicadas. È necessário procurar e achar a Sabedoria em si mesmo; outro caminho não conduz a ela. ”

Após dos temas já discutidos anteriormente, creio que já tenha ficado mais claro para leitor o entendimento do diálogo quanto aos apontamentos feitos por Zoroastro sobre a linguagem que é utilizada para transmitir a Realidade Consciente, como dito, não é possível compreendê-la se antes não se voltar para dentro e investigar a particularidade interior, não vasculhando isto, fica-se na superficialidade geradora de crenças e cegueiras, não se têm ganhos na Consciência.


Religião Greco-romana

A religião romana absorveu a religião grega modificando apenas o nome de algumas divindades mitológicas, a sua essência permaneceu a mesma. Por exemplo: Júpiter (Zeus), Baco (Dionísio), Vênus (Afrodite), Plutão (Hades), Mercúrio (Hermes), Cupido (Eros), Netuno (Poseidon), Marte (Ares) e etc.

Há inúmeras estórias mitológicas que podemos encontrar expressões da busca pela expansão da consciência, as próprias figuras mitológicas representam arquétipos que podem dizer a respeito de nós mesmos e a posição que estamos perante nossa existência. Veremos algumas delas. Para aqueles que pretendem se aprofundar mais se recomenda a leitura de Joseph Campbell – o maior estudioso de mitologia e religião do mundo – sem dúvida alguma, este grande homem fez um trabalho maravilhoso e pôde desvendar as entrelinhas da mitologia, as trazendo para a perspectiva da Consciência .Campbell acreditava que todas as religiões do mundo, que todos os rituais e divindades, foram apenas “máscaras” de uma única verdade transcendente que é indescritível.

Joseph Campbell – Professor, escritor, palestrante, antropólogo, e mitólogo. Estudou várias línguas como francês antigo, alemão japonês e sânscrito. Bacharel em Literatura Inglesa/ Mestrado em Literatura Medieval

Assista o documentário ” O poder do Mito ” de Joseph Campbell, disponível gratuitamente no Youtube.
Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Parte 6
https://www.youtube.com/watch?v=Kjavtp7JLFw

Antes de começar, deve ser ressaltado que na Grécia aconteceu a mesma questão de adoração desses deuses mitológicos, o povo prestava-lhes cultos como se estes deuses fossem reais, acreditavam que estavam observando o formigueiro humano do Monte Olímpio, regendo a tudo e a todos.

As caracterizas destes deuses são bem típicas, podendo representar diversas facetas da personalidade humana, vejamos alguns exemplos retirados do livro Mitologia Grega Vol. II de Junito de Souza Brandão:

ZEUS

‘‘Visão psicológica Junguiana: Normalmente extrovertido, definitivamente racional, intuitivo e sensível.
Dificuldades psicológicas: Autoritário, cruel por vezes, Inflação, imaturidade emocional.
Pontos de apoio: Hábil no uso do poder, resoluto, prolífico.

POSEIDON


Visão psicológica Junguiana: Ora introvertido, ora extrovertido, definitivamente sentimental.
Dificuldades psicológicas: Emotividade destrutiva, instabilidade emocional, excessiva autoestima.
Pontos de apoio: Leal, fácil acesso aos sentimentos.

HADES


Visão psicológica Junguiana: Definitivamente introvertido, definitivamente sensível, vive alheio ao tempo.
Dificuldades psicológicas: Inadequação social, distorção da realidade, depressão, baixa autoestima.
Pontos de apoio: Mundo de imagens interiores, rico, desprendido.

APOLO

Visão psicológica Junguiana: Normalmente extrovertido, intuitivo, reflexivo, visão do futuro
Dificuldades psicológicas: Arrogância, distanciamento emocional, age a distancia.
Pontos de apoio: Sabe apreciar a claridade e a forma, hábil em atingir metas.

ARES


Visão psicológica Junguiana: Normalmente extrovertido, definitivamente sentimento e sensação, vive o presente.
Dificuldades psicológicas: Reação emocional, abusivo, intempestivo, bode expiatório, baixa autoestima.
Pontos de apoio: Integração psicossomática, expressividade emocional.

HERMES

Visão psicológica Junguiana: Normalmente extrovertido, definitivamente intuitivo, geralmente mediativo.
Dificuldades psicológicas: Impulsivo, visão do presente, passado e futuro, “Adulescens aeternus”.
Pontos de apoio: Capacidade para compreender significantes e significados, amigo, comunicador de idéias.

HEFESTO
Visão psicológica Junguiana: Definitivamente introvertido, definitivamente sentimento e sensação, busca do presente.
Dificuldades psicológicas: Inadequação social, bufão, baixa autoestima.
Pontos de apoio: Criatividade, engenhosidade, habilidade manual, capacidade para ver e criar o belo.

DIONÍSIO
Visão psicológica Junguiana: Ora extrovertido, ora introvertido, definitivamente sensação, vive o presente imediato.
Dificuldades psicológicas: Distorção na autopercepção, abuso da essência.
Pontos de apoio: Apreciação da experiência sensorial, intensidade apaixonada, amor a natureza.


Apolo enfrenta Phyton, a serpente gigante

‘‘ Píton entesou o seu corpo e lançou um bote quase certeiro sobre a rocha onde o deus do sol se mantinha precariamente equilibrado. Um grande dente amarelado da serpente ficou cravado sobre a rocha, como se fosse uma gigantesca espada enterrada na pedra. Dela escorria um líquido da cor do âmbar e que exalava um odor terrivelmente nefasto.
Apolo foi cair sobre a saliência de um penedo, ainda entontecido pelo bafo mefítico de sua cruel inimiga. A serpente Píton, após relancear a cabeça em várias direções, arregalou suas grandes pupilas horizontais: uma centena de línguas fendidas saíram ao mesmo tempo de sua boca e chicotearam o ar em todas as direções. A temível Píton farejava novamente a sua presa.
Mas antes que volvesse sua cabeça na fatídica direção, Apolo já estava em pé outra vez. Retesando ao mesmo tempo em seu arco três de suas mais afiadas setas, Apolo esticou a corda ate que ela quase estalasse. — Serpente maldita, aqui está o seu castigo! — disse o deus, despedindo as três setas, que partiram sibilando pelo ar.


Já no caminho as poderosas setas foram duelando com as línguas da víbora, e uma chuva delas caiu do alto, decepadas pela velocidade das setas. Em seguida, cada qual tomando seu caminho foi buscar um alvo diferente: a primeira foi alojar-se no olho esquerdo da víbora; a segunda penetrou em seu peito, ausente de escamas, enterrando-se em seu coração; e finalmente a terceira entrou-lhe pela boca adentro, tirando-lhe o hausto da vida. Como uma palmeira que tomba, a serpente Píton caiu, provocando um grande estrondo, que fez tremer a Terra durante oito dias.
Apolo vencera. Tomando então sua lira — que Hermes lhe dera de presente —, ele entoou sua canção de vitória, abraçado a mãe e A irmã. Disse a elas, triunfante: — Aqui enterrarei a terrível serpente, e sobre seu túmulo erguerei um sagrado templo, além de um oráculo, que será em breve o mais famoso de todos. Era o oráculo de Delfos, local onde todo mortal iria sondar os irrevogáveis decretos das Moiras, as deusas que presidem ao destino. ’’

Na mitologia grega, Apolo era o deus das artes, da música, da profecia, da verdade, da poesia, da harmonia, da perfeição e da cura. Considerado um dos mais importantes, versáteis e venerados deuses da Grécia Antiga, pois era um dos deuses olímpicos. Era também muito importante na mitologia romana.

Era filho de Zeus (deus dos deuses) e Leto (deusa do anoitecer) e irmão de Ártemis (deusa da caça). Era pai de Asclépio (deus da Medicina e da cura) e Aristeu (deus da agricultura e vegetação).

Estas estórias de heróis contra serpentes gigantes são recorrentes também em outras culturas (Thor contra serpente Jormungand e Krishna contra a serpente Kalia, por exemplo).

No âmbito da consciência a serpente gigante significa sentimentos maléficos e emoções negativas – estas são as causas do sofrimento dos humanos. É comum nestas estórias que estes heróis para cumprir suas missões e afirmar seu caráter divino tenham que passar por estas provas.

No Cosmos a Consciência permeia a tudo. Adquirir o caráter divino como de Apolo remete ao ato heroico de vencer as limitações interiores, da personalidade, do ego . Domar a serpente também se traduz num símbolo de tomada de sabedoria e morte da ignorância (na mitologia judaico-cristã a serpente oferece o fruto do conhecimento). Apolo diz ‘‘sobre seu túmulo erguerei um sagrado templo’’, quando a serpente morre (ignorância/ódio), é substituída pelo templo sagrado (sabedoria/amor).

E você, tem enfrentado a sua serpente (ego) ou tem sido devorado por ela?

Lucas de Sousa Teixeira

Parte 1:

https://cienciaespiritualidadeblog.wordpress.com/2015/11/06/a-religiao-como-linguagem-nao-compreendida-da-consciencia-parte-1/

Continua – Parte 3:

https://cienciaespiritualidadeblog.wordpress.com/2015/11/06/a-religiao-como-linguagem-nao-compreendida-da-consciencia-parte-3/

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